Mitos e verdades sobre o surgimento de varizes

Além de serem esteticamente indesejáveis, podem representar perigo à saúde quando atingem um grau avançado

Você já ouviu falar que o uso de salto alto pode ocasionar varizes? Ou que o surgimento delas é causado pela herança genética? E afinal, o uso de anticoncepcionais e a gestação auxiliam no surgimento das varizes? Essas e outras dúvidas surgem com frequência por quem se preocupa em ter uma boa aparência dos membros inferiores. Porém, além de uma questão estética, é preciso ficar atento aos graus avançados das varizes, que podem representar perigo ao sistema vascular quando deixam de ser tratadas.

As varizes são classificadas como alterações nas veias superficiais da pele, que ficam danificadas, tortuosas e dilatadas por diversas razões e que, por isso, deixam de bombear sangue de forma adequada ao coração. “Além de incomodar esteticamente, as dilatações podem ser acompanhadas de dor, ardência e, em quadros extremos, podem ocasionar úlceras varicosas ou tromboses venosas”, revela o angiologista e cirurgião vascular Frederico Linhares, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular Regional Ceará (SBACV-CE).

A chance das mulheres desenvolverem varizes são de duas a quatro vezes mais altas que os homens, tendo em vista que elas apresentam maior exposição aos fatores de risco ao longo da vida. As causas da doença variam bastante e geralmente são rodeadas de crenças populares sobre atitudes do cotidiano que podem estimular seu aparecimento. Existem ações do dia a dia que podem sim aumentar as chances do aparecimento indesejável das varizes, mas, antes de tudo, é preciso entender e separar o que é verdade e o que é mito.

Por exemplo: será mesmo que as varizes podem ser hereditárias? De acordo com o médico Frederico Linhares, a principal causa está intimamente relacionada à predisposição genética. Portanto, mulheres que possuem casos na família têm maiores chances de desenvolverem a doença.

Na esfera das crenças populares, muito se fala sobre a relação da existência de varizes em mulheres com o uso dos calçados de salto alto. Não há um consenso na literatura científica se o salto alto é ou não prejudicial à circulação das pernas. Entretanto, a maioria dos especialistas aponta que o uso contínuo e exagerado do calçado pode sim facilitar o aparecimento das varizes a longo prazo.

“A principal justificativa que relaciona uso do salto alto com o aparecimento das varizes é a influência do calçado no encurtamento muscular da panturrilha, responsável por impulsionar o sangue que circula nas pernas de volta para o coração”, esclarece Frederico.

Outra crença muito difundida é de que ficar muito tempo em pé ou sentado pode facilitar o aparecimento das varizes, como em profissionais que necessitam ficar longas jornadas nessas posições. “Isso de fato é verdade e, por isso, é indicado movimentar-se em intervalos de uma a duas horas, alternar as posições sempre que possível e utilizar meias elásticas de compressão durante o expediente para facilitar e aumentar a circulação sanguínea e no interior das veias”, indica o cirurgião vascular.

Muito se fala também sobre a relação da gestação ou mesmo sobre uso de anticoncepcionais como um fator facilitador. Os hormônios contidos na maioria das pílulas têm como efeito colateral um certo enfraquecimento da parede venosa, permitindo sua dilatação. As alterações hormonais durante a gravidez também estão relacionadas às varizes, além do aumento do abdômen, que provoca o dilatações dos vasos pélvicos e das pernas.

Segundo angiologista e cirurgião vascular Frederico Linhares, apesar das mulheres estarem mais sujeitas às varizes, tanto elas quanto os homens devem sim ficar atentos a pequenos sintomas que podem indicar um início de aparecimento da doença. “Em boa parte dos casos, é possível prevenir as varizes com simples atitudes no dia a dia. Porém, é sempre recomendado procurar um angiologista para avaliar a saúde vascular do paciente e indicar o melhor tratamento caso necessário, principalmente quando sintomas como inchaço e sensação de peso nas pernas são recorrentes”, esclarece o especialista.